Vagueio. Livre. Meio livre.. dou um passo em direcção a um qualquer sítio que me leve a um lugar qualquer. Dou outro passo, e sinto que a meta está exactamente à mesma distância que estava do passo anterior. Sou exactamente a mesma pessoa e ando, a maior parte das vezes, sem aprender nada sobre o que é esta coisa do amor. A paixão, essa sim, tem sido uma companheira assídua na minha mesa de bar.. tem-se dado a conhecer em todo o seu esplendor, em toda a sua harmonia e virtude.
Mas, e se estiver na altura de dar um passo real em direcção a uma meta palpável? E se esta coisa de conhecer, conquistar, viver a paixão, saborear nos lábios um pouco de amor e depois deixar morrer estiver a deixar de fazer sentido? Continuo, sempre, a ter medo. Medo de magoar, medo de assumir que a partir de uma altura qualquer, ao lado de uma pessoa (especial) qualquer, é o momento em que a minha vida tem de ser pensada a dois? Sim... a minha juventude, irresponsabilidade, e talvez até, alguma imaturidade não me fazem pensar nisto como uma coisa séria, mas... o tempo passa e é ele quem comanda as andanças da nossa história. É ele que faz com que as estórias façam do tempo que passou o que vivemos no presente e que projectará o que teremos no futuro. Nunca fui pessoa de pensar muito no passado, e no futuro.. nem pensar em pensar nele, porque, sempre tive repulsa por coisas que não posso controlar. O que passou, está escrito não dá para alterar, «não podes fazer rewind na vida como não há cassete.», como dizia aquela música dos Da Weasel, e o futuro.. esse é um poço enorme de incertezas, que trará ou não dor, que nos vai dar, ou não, felicidade, fortúnio e um par.
Sou uma pessoa difícil. Eu próprio não me sei "comportar", eu próprio não sei o que é ser para sempre da mesma pessoa, e a remota sabedoria que tenho neste campo, faz com que saiba que a tendência é sempre, sempre, mas sempre a de estragar tudo quando não era suposto. «É um mundo grande e mau, cheio de curvas e contra-curvas», e temos sempre «tendência para piscar os olhos no momento», no momento em que tínhamos o poder de alterar o curso das coisas, fazendo no presente algo que nos faria mais felizes, mais completos. Fui, por ora, "aconselhado" a fazê-lo. A piscar os olhos, e mais importante, a perder esse momento que poderia ter cambiado tudo o que tenho neste momento na minha vida - é curioso como podemos sentir as coisas, os sentimentos, tudo isso a escorrer-nos das mãos como água. Ou melhor, como areia, porque a água, é fácil, passa rápido, é claro, ficamos com as mãos molhadas depois da enxurrada ter passado, mas a areia... a areia sente-se, a areia tem um processo mais "doloroso" de nos trespassar entre dedos, de nos fugir quando queremos que ela fique ali, estática, fundida com os nossos dedos - e, nunca o consegui realmente. Sinceramente, acho que nunca conseguirei.
P.
