As dúvidas invadiram este dia nada fácil. As forças para lutar contra algo que é muito mais forte do que a imaginação das pessoas são cada vez menores. A vontade de fazer as coisas pelo lado certo, essa então, já quase não existe. A sensação de nos tirarem o pão da boca, de não ter ninguém, mesmo quando tenho tanta gente à minha volta, é agoniante. O grito revoltoso que me sai em alto e bom som não é ouvido por ninguém, e se alguém viu, não consegue imaginar o que vai cá dentro. Aparento ser o maior de todos os felizardos, quando cá dentro, não passo de mais um, a quem a vida parece ter virado as costas.
Atrás de mim, persegue-me algo que não consigo saber o que é, nem tão pouco porque raio fujo desta forma. A esperança não é muita, o tempo está a passar e a imagem que vejo no espelho não é aquela que queria! Apesar do tempo, que passa a galopar, é triste aperceber-me que as pessoas não prestam, que as coisas não são como deveriam ser, mesmo sendo ainda tão novo. Apetecia-me abrir os olhos, acordar, mas acho que já estou bem desperto, que isto não é um pesadelo, mas antes a minha vida. Pensei hoje, se algum dia iria ser feliz, se conseguiria chegar ao objectivo tão simples que é ser aquilo que quero ser, de fazer aquilo que gosto de fazer, concretizar, e apenas isso, concretizar um sonho de vida.
Parece que sou prisioneiro da minha pessoa, que não sou amigo de mim próprio, parece que a minha companhia tem sido demais comigo próprio! Quando olho para o lado, não vejo ninguém que me possa ajudar, que me ceda o ombro, para poder chorar, que sorria para mim. Não sei quem sou, o que devo fazer. Não sei se o que fiz foi a coisa certa. Porque é que me sinto assim?!
Sinto cada vez mais que o único culpado de tudo isto, sou eu, mas nem sequer sei porquê! Sou também o único que vê as lágrimas nos meus olhos.
Será que chegarei a ser feliz?
Todo este tempo tentei não desmoronar, não cair, mas cada vez mais percebo que não sou de ferro, e que quanto mais penso que vai tudo passar, parece que piora!
Devo ter uma nuvem cinzenta privada que vai comigo para qualquer sitio. Onde anda Ele? Que Deus?!
Acho sinceramente que não peço nada a mais do que aquilo que tenho direito. Não é demais pedir para cumprir o meu sonho, e já batalhei tanto por ele, já fiz tanto, e nunca recebi nada em troca. Nenhuma luz para me dar força. Quando olho para trás não vejo o porquê. Mesmo quando errei, sempre tentei fazer bem... Não quero mal a ninguém, não tenho inimigos, e o ódio, não faz parte do meu dicionário social. Nesta coisa, com formas de jogo, que é a vida, o resultado não se pode prever, mas, não vou desistir. Devo isso a muita gente. A toda essa gente, e a todas as outras, que algures no país me aplaudiram com sinceridade. Àqueles que bateram com a mão esquerda na direita com a sensação de que gostaram do que viram. De que eu tenho até algum potencial! A esperança é a última a morrer, não é o que dizem?
Como disse o outro:
"Há-de surgir um raio de luz no meio da porcaria,
Porque até um relógio parado está certo duas vezes por dia!"
Porque até um relógio parado está certo duas vezes por dia!"
P.
