Tudo começa com uma simples história.... sempre.
Tudo parece ser normal. Mas tudo muda.
A simples aproximação de dois desconhecidos, transforma-se, como a escuridão da noite quando se encobre com o sol a brilhar, todas as manhãs. As almas ficam acesas, e qualquer coisa muda. Quando tudo muda, a consciência não quer crer. O simples pensamento do devaneio que nos invade, aflige-nos... mas, agora já tudo mudou. Tudo está diferente e sem querer estamos no meio de uma conversa longa, duradoura, que invade e perturba tudo o que era certo, tudo o que não podia acontecer.
Essa aflição, cortante, intensa, aflitiva, continua ainda hoje a pairar sobre o frágil esquecimento de quem esquece sem querer, de quem esquece por obrigação. Estou grato a mim, e a ela, por tudo o que me foi permitido sentir. Tudo o que pude aprender, todas as respirações que afinal ouço, o toque que passa a ter dimensões que nunca tiveram, com uma intensidade que nem de perto consegui sentir noutras ocasiões. Todos os beijos, loucos, apaixonados, homicidas. Todo o desejo de tocar em todo o corpo, como de o beijar...
O desejo era muito, e cada vez maior. A intensidade de cada segundo ofegante e brutal de quando nos encontrávamos era magnifico, como tudo aliás. Tudo foi sempre magnifico.
Agora tudo voltou a mudar. Teve de haver um ponto final nesta história, porque afinal existe o amor impossível. Porque o maior amor que já existiu, neste mundo que é o meu, é afinal e apenas, um rol de expectativas e ilusões. Ambos sabemos que ainda existem sentimentos. Únicos, intensos, proibidos. Sinto que ela me tem na mão tal como ela sente que eu a tenho, aqui, na minha palma que tão mal conheço!
Hoje nada podemos mudar, e nunca seremos completamente felizes, porque nunca nos poderemos amar incondicionalmente, nunca nos poderemos fazer completamente felizes um ao outro.
Ainda assim, é a vida. E com ela se aprende. Com ela viveremos até ao fim da nossa linha.
AT
O (sempre teu) Poeta
